Bio Oh Wonder – Lollapalooza

Em uma era em que as carreiras do mundo pop precisam de um planejamento cuidadoso, Oh Wonder foge do comum. Eles são uma banda formada por acidente, uma dupla que não planejava tocar para viver, porém que já passou mais de um ano em turnê pelo mundo.

Ultralife é o extraordinário segundo álbum e também o lançamento da Oh Wonder. O seu primeiro álbum, lançado em 2015, leva o mesmo nome que a banda e é uma coleção de músicas que eles postaram online no período de um mês, pelas quais milhões de ouvintes se apaixonaram transformando os londrinos Josephine Vander Gucht e Anthony West em estrelas do pop.

“Nós nunca forçamos este projeto”, diz Josephine. “Sempre sentimos como se ele estivesse vindo em nossa direção. Inicialmente, nós colocamos nossas músicas no Soundcloud com a esperança de que ela alcançasse outros artistas. O que aconteceu depois nos surpreendeu tanto quanto a qualquer outra pessoa. Mais ou menos desde o momento em que começamos, sentimos uma conexão com os fãs. Já tínhamos divulgado nossas músicas antes, mas nunca tivemos uma resposta tão rápida. Éramos anônimos, na época. Nem mesmo os nossos amigos sabiam o que estávamos fazendo”.

Pianista e violinista de formação clássica, Josephine estava prestes a começar sua carreira no direito quando conheceu Anthony, um produtor e antigo membro de uma banda de rock, em um estúdio ao Sul de Londres. Ele se ofereceu para produzir algumas de suas músicas, mas, no momento em que começaram a trabalhar juntos, teve um “clique”. Ou como Anthony diz, “as estrelas colidiram”.

Seu background em organizar e produzir – ninguém menos do que o lendário Gil Norton o aconselhou a se tornar produtor – foram um complemento para a formação clássica e a habilidade de compor de Josephine. Suas vozes unidas eram algo incrível. Eles eram melhores compondo músicas juntos do que foram quando o faziam separados.

Três meses em seu desafio de uma música por mês, eles já tinham alcançado uma audiência internacional que esperava ansiosamente pela nova música no começo de cada mês. Como seu sucesso foi uma bola de neve, as gravadoras começaram a ligar, mas eles se recusaram a assinar um contrato. Quando viram suas músicas sendo tocadas mais de 10 milhões de vezes, a dupla finalmente admitiu que era uma banda.

Depois de lançar sozinhos 15 de suas músicas como um álbum, Oh Wonder cedeu à pressão de tocar ao vivo, marcando apenas 4 shows – em Londres, Paris, Nova York e L.A. – planejando retornar direto para o estúdio que construíram em um quarto, no fundo do jardim dos pais de Josephine. Quando todos os quatro shows esgotaram, após uma semana eles se sentiram inspirados para entrar em turnê e acabaram cruzando o Estado várias vezes, encontrando fãs de lugares distantes como América do Sul, Austrália, Rússia e Ásia. Isso culminou em 162 shows, em 14 meses, por 112 cidades e mais de 83,000 ingressos vendidos. Uma conexão.

No caminho, as músicas da Oh Wonder se tornaram trilha do Staples, que tocaram em todos os lugares como Scream, Elementary e Made In Chelsea até Catfish, Collide e Coronation Street. A música “Drive” foi usada no episódio piloto para a série Doctor Foster, da BBC. “All We Do” foi a música tema para Unforgotten, a aclamada série de detetives da ITV.

“Esta banda nos mostrou o quão poderosa a música pode ser”, diz Josephine. “Ela nos deu oportunidades que não poderíamos ter imaginado e nos levou a lugares que nunca sonhamos. Recebemos mensagens de fãs nos dizendo como nossa música os ajudou e mudou suas vidas. O fato de que nada disso foi planejado, torna tudo ainda mais especial”.

Aquele que antes era ignorado pode estar prestes a ter a sorte ao seu lado. Escrito em Nova York e Londres e completamente composto, produzido e remixado pela dupla, “Ultralife” tem as características do álbum experimental de lançamento da banda – o vocal hipnótico do casal, suas letras emocionantes e expostas, sua beleza etérea e enfeitiçante – e adiciona o peso da experiência, a confiança do sucesso e coerência que vem do planejamento adiantado.

“Da última vez, não tínhamos ideia do que a gente estava fazendo”, ri Anthony. “Nem sequer tínhamos um som específico em mente. Aprendemos cada aspecto do Oh Wonder no trabalho, desde como cantar juntos até como tocar músicas ao vivo. O que foi ótimo sobre fazer este segundo álbum é que pudemos colocar todo o nosso conhecimento adquirido em uso”.

O single “Ultralife”, faixa-título do álbum, acrescenta à Oh Wonder uma nova ambição e autoconfiança para ir mais longe. Facilmente é a música mais animada que eles já lançaram, é uma explosão furiosa, sensual, de piano e batida de pura alegria, que pode se pode ser a trilha sonora do verão.

“O que não tínhamos percebido quando escrevíamos o álbum”, reconhece Josephine, “é que ele tem um arco de narrativa forte. Ele fala sobre precisar de outras pessoas, mas ao mesmo tempo precisar de tempo para si mesmo. “Solo”, a música de abertura, é uma ode à liberdade de ficar sozinho. A faixa de fechamento, “Waster”, fala sobre o quanto a vida fica sem sentido se você não tem com quem dividir experiências.

“Escrevemos as duas músicas cedo, durante um mês de folga da turnê, quando nos mudamos para um Airbnb em Brooklyn, com apenas um piano. O resto do álbum somos nós preenchendo o espaço entre estes extremos.
“Estar em uma turnê é uma experiência incrivelmente isolante. Você pode estar em um local com 3000 pessoas gritando seu nome e ainda se sentir sozinho. É perverso. Você sente saudades dos seus amigos e família desesperadamente, mas você também espera um tempo de inatividade para se nutrir. Ultralifeluta para encontrar o balanço entre os dois”.

“Uma grande influência no álbum foi o livro Into The Wild, de Jon Krakauer”, acrescenta Anthony. “É uma história real sobre um homem suburbano que ia para Harvard, mas, ao invés disso, decidiu escapar das pressões da sociedade ao se mudar para a selva. No seu leito de morte, no Alasca, ele escreve seis palavras em uma parede: ‘Felicidade só é real quando compartilhada’. Ele percebeu que a vida não é tão boa por conta própria. Nós dois lemos o livro e, depois de um ano na estrada, entendemos”.

Durante os poucos meses que a Oh Wonder passou compondo o álbum, James Blake, Bom Iver, D. D. Dumbo, Frank Ocean e Beyoncé lançaram álbuns. A dupla mergulhou nesses discos e submergiu ansiosa para fazer um álbum tão afirmativo sobre a vida quanto melancólico. Eles escreveram “Heart Strings” ao ouvir os Beach Boys, The Beatles e a feliz, melosa, com influências do hip-hop “Lifetimes” depois de ver um concerto de Drake.

De volta a Londres no último outono, escreveram “Ultralife”, a arrepiante “Bigger Than Love” e o hit animado e eletrônico “High On Humans”, inspirada nos encontros empoderadores de Josephine com estranhos em uma viagem de metrô para casa de Heathrow.

“Um deles foi com duas mulheres que trabalhavam na Sunglasses Hut, com quem eu tive uma discussão de meia hora sobre molho de pimenta”, ela diz. “Foi maravilhoso. Eu não conhecia elas e elas não me conheciam, mas tivemos uma ligação do nada por causa de comida.
“Quando eu troquei de trem, encontrei um cara coberto de sangue, que teve seus dentes arrancados por um soco. Eu disse a ele que a mesma coisa tinha acontecido comigo e, de repente, todo o vagão começou a contar histórias de seus machucados e operações. Eu vi pessoas descerem daquele trem energizadas pela interação. Eu imediatamente liguei pro Anthony e cantei o refrão para ele e escrevemos o resto da música naquela noite.”

Ao invés de depender de computadores, Ultralife traz vários instrumentos ao vivo, incluindo bateria e baixo, assim como a coleção de sintetizadores analógicos de Anthony, que são essenciais para o sim quente e sensual das músicas. A maior parte do álbum foi feita no estúdio caseiro do casal, onde eles tiveram que trabalhar de acordo com os horários do ônibus TFL.

“Nosso estúdio está em uma rodovia movimentada, na esquina da rota de dois ônibus”, explica Anthony. “Sempre que começávamos a gravar, outro ônibus passava. Não conseguíamos gravar os vocais antes das 22h”.

“Mas alguns ônibus conseguiam escapar”, revela Josephine. “O álbum abre com um ônibus, uma ode ao fato que o álbum inteiro foi comprometido pelo transporte de Londres. Também tem uma sirene policial de Nova York, onde tivemos o mesmo problema com o trânsito”.

“Poderíamos ter facilitado nossas vidas indo a um estúdio à prova de som, mas isso não somos nós. Nossas vidas estão nestas músicas e não parecia certo deixar os ônibus da noite de fora”.

 

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